segunda-feira, 13 de abril de 2009

Filmografia Tania Alves: "Cabaret Mineiro" (1980)

 

Em 1980, é produzido o filme "Cabaret Mineiro", dirigido e roteirizado por Carlos Alberto Prates Correia, com base em história de João Guimarães Rosa. Pertencente ao gênero drama musical, "Cabaret Mineiro" entrou, em novembro de 2015, na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

No filme, Tania Alves interpreta Avana, dançarina 'espanhola' de Montes Claros, que tem um romance com um aventureiro, interpretado por Nelson Dantas. Tania também participou da trilha sonora - assinada por Tavinho Moura -, cantando três músicas: "Cabaret Mineiro" (Carlos Drummond de Andrade, Tavinho Moura), "O Sonho" (Zezinho da Viola) e "Te pega te pica" (Carlos Alberto Prates Correa, Zeduardo, Tavinho Moura). Por sua atuação, Tania ganhou o Kikito de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em 1981.

O compositor Tavinho Moura disse em uma entrevista que "{o filme] é uma viagem imaginária e onírica pela cultura brasileira. O poema de Drummond na voz de Tânia Alves represa nos olhos a emoção". [1]

 

Sinopse

Paixão, um elegante aventureiro e jogador de cartas, viaja de trem pelo interior de Minas Gerais, visitando vários cabarés.  Numa dessas viagens pelo norte do Estado, ele conhece e se apaixona por Salinas. Os dois amam-se na cabine-leito mas, ao acordar na manhã seguinte, fica surpreso ao verificar que a jovem mulher já se foi.

Uma vez em Montes Claros, durante um jogo de pôquer, Tomaz, um americano, sugere e apresenta um novo tipo de jogo.  Não satisfeito com a sugestão apresentada, Paixão inventa então o "cri-cri", a seu ver superior ao do americano.

Já numa pequena cidade vizinha, Paixão, embriagado, sonha com Salinas.  Ele dorme na areia do rio que banha o local, onde encontra-se com Evangelina, uma adolescente que faz ioga nua. De volta a Montes Claros, Paixão apaixona-se por Avana, dançarina espanhola dona de um cabaré.

Assim, de uma certa forma sentimental, ele vai conhecendo novas mulheres, que se tornam novos amores, bem como, relembra suas antigas paixões.
 
Ficha Técnica

Direção:
Carlos Alberto Prates Correia

Roteiro:
Carlos Alberto Prates Correia

Produção:
Carlos Alberto Prates Correia, Nilson Barbosa

Música Original:
Tavinho Moura

Fotografia:
Murilo Salles

Edição:
Idê Lacreta

Design de Produção:
Carlos Wilson

Figurino:
Carlos Wilson

Maquiagem:
Waldir Monteiro

Efeitos Sonoros:
Walter Goulart, Aloísio Viana

Efeitos Visuais:
Pedro Louzada

Ano de Produção:
1980


Elenco

Nelson Dantas
Tamara Taxman
Tania Alves
Helber Rangel
Louise Cardoso
Maria Sílvia
Eliane Narducci
Luiza Clotilde
Dora Pellegrino
Carlos Wilson
Zaira Zambelli
Thelma Reston
Nildo Parente
Paschoal Villaboim
Sonia Santos
Nena Ainhoren
Célia Maracajá
Antônio Rodrigues
Tavinho Moura
Marujada de Montes Claros
Grupo Corpo de Baile de Belo Horizonte


Prêmios

* Festival de Gramado 1981: Venceu na categoria de Melhor Filme, Melhor Fotografia (Murilo Salles), Melhor Ator (Nelson Dantas), Melhor Montagem, Melhor Direção, Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz Coadjuvante (Tania Alves).

* Festival de Brasília 1980: Venceu na categoria de Melhor Fotografia.







Revisão Crítica

“Cabaret Mineiro” (1980) – sensação no Festival de Gramado, com sete kikitos –, remexe com as obsessões de Prates, aprofundando a análise de causos regionalistas, especificamente da sua terra natal, o norte de Minas Gerais. (...) Pontuando todos esses quadros, a música original de Tavinho Moura – integrante tardio do “Clube da Esquina” dos irmãos Borges e Milton Nascimento – é de um acerto tão grande que torna impossível dissociá-la de “Cabaret Mineiro”, quanto mais em momentos-chave, como o da aparição da bailarina espanhola (Tania Alves), por quem se apaixona o “condutor” (...) De tudo o que se pode perceber, Carlos Alberto Prates se embebedou do que tinha à volta e do que possuía de mais íntimo – a persona mineira –, tornando-a central para o fazer cinematográfico. A associação com o texto de Guimarães Rosa caiu-lhe como uma luva, dando o espírito e o feitiço certos para a complexa empreitada" 

Por Andrea Ormond (Blog Estranho Encontro).


Veja aqui os números musicais de Tania Alves em Cabaret Mineiro


    "Cabaret Mineiro" (Carlos Drummond de Andrade, Tavinho Moura)



 "O Sonho" (Zezinho da Viola)




 "Te pega te pica" (Carlos Alberto Prates Correa, Zeduardo, Tavinho Moura)






Referências:
[1] - Tavinho Moura UM ARTISTA EXERCE SEUS ALUMBRAMENTOS. Revista Suplemento. Belo Horizonte, Julho/Agosto 2016. Edição nº 1.367. Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.

Fontes de Consulta:
Blog Estranho Encontro
Acervo Site As Cantrizes
Cabaret Mineiro: Delírios de Paixão nos Gerais - Site guesaaudiovisual.com
Revista Suplemento. Belo Horizonte, Julho/Agosto 2016. Edição nº 1.367



domingo, 12 de abril de 2009

Filmografia Tania Alves: "Morte e Vida Severina" (1977)


Em 1977, Tania Alves participou do filme "Morte e Vida Severina", escrito e dirigido por Zelito Viana, baseado em dois poemas de João Cabral de Melo Neto, "O Rio" e "Morte e Vida Severina".

Foi vendo sua encenação no teatro em 1968, em São Paulo, com músicas de Chico Buarque, que Zelito Viana decidiu levá-la para o cinema. "Quando assisti, me deu uma vontade louca de adaptá-la", explicou o cineasta. Foi por sugestão de João Cabral, segundo Viana, que a versão cinematográfica de "Morte e Vida Severina" se uniu a outra obra do poeta pernambucano. "O Rio", um poema que descreve a vida e a miséria das populações que vivem às margens do rio Capiberibe, no Recife, acabou dando o ingrediente plástico e visual de que o cineasta precisava para o filme. "A sugestão dele me ajudou muito do ponto de vista cinematográfico", disse Zelito.

O diretor dividiu o filme em três partes, sendo uma exclusivamente documental, filmada em 16mm, em preto e branco e cores. O filme, segundo Viana, teve sua exportação proibida pela censura do regime militar por conter imagens consideradas desprestigiosas para o Brasil. "O mais lamentável disso tudo é que essa obra do João Cabral foi encenada no teatro nos anos 60, foi para o cinema nos anos 70 e, posteriormente, foi representada na TV, e, durante todos esses anos, a realidade do Nordeste continua a mesma", concluiu Zelito.

A versão cinematográfica de "Morte e Vida Severina" ganhou o prêmio "Margarida de Prata", concedida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), e o prêmio de Melhor Montagem para Gilberto Santeiro, no Festival de Brasília.


No elenco, três atores interpretam Severino: José Dumont, Stênio Garcia e Luiz Mendonça. Também participam Elba Ramalho, Tania Alves, Jofre Soares, Albee Amós, Walter Breda, Katia de França e Hélio Guerra, entre outros.

Na trilha sonora do filme, a participação dos instrumentistas Geraldinho Azevedo, Kátia de França, Lourival Lemes, Ronaldo Medeiros, Ivson Wanderley, Normando, Cidinho e Xangai.

Sinopse

Severino, migrante fugido da miséria, sai do Sertão em busca de trabalho. Enfrentando as piores dificuldades, ele atravessa o Agreste e a Zona da Mata, morrendo aos poucos pelo caminho, até chegar ao litoral. A história é narrada pelo rio Capibaribe, que descreve documentalmente as regiões por onde Severino passa e o tipo de vida de seus habitantes, em alternância com a parte ficcional da caminhada retirante.


Ficha Técnica:

Lançamento: 29/07/1977 
Produção: Mapa Filmes
Direção: Zelito Viana
Argumento: João Cabral de Melo Neto
Roteiro: Zelito Viana, baseado no poema de João Cabral de Melo Neto
Fotografia: Francisco Balbino, Lauro Escorel e José Medeiros
Montagem: Gilberto Santeiro
Direção de Arte: Regis Monteiro





Veja abaixo um trecho de "Morte e Vida Severina"
com Tania Alves e Elba Ramalho: 



Veja também o número musical "As Ciganas",
com Tania Alves e Elba Ramalho: 



Fontes:
Banco de Conteúdos Culturais
Cinemateca Brasileira
Arquivos de Cultura Contemporânea
Folha de São Paulo: Adaptação para cinema une duas obras. 11/10/1999
Acervo Leo Ladeira
Canal As Cantrizes (YouTube)




Discografia de Tania Alves: "Novos Sabores" (1983)

Capa

Contra-Capa


Em 1983, Tania Alves lançou, pela Polygram, seu segundo disco, "Novos Sabores". O álbum é fruto do casamento (pessoal e profissional) de Tania e o músico chileno Enzo Merino, do grupo Raíces de América.

"Enzo conhecia profundamente o folclore andino e latino-americano em geral. Com ele aprendi a tocar charango e foi ele também quem me apresentou Violeta Parra, Mercedes Sosa, Victor Jara... Aos poucos, de brincadeira, comecei a compor. Ele fazia as músicas, eu as letras. Não me considerava compositora, mas a minha personalidade como cantora começou a se definir na medida em que eu passei a escrever o que eu ia dizer. Compondo, descobri como me comunicar com as pessoas sem personagens", lembra Tania no livro 'Tania Maria Bonita Alves', da Coleção Aplauso.

A parceria de Tania e Enzo foi levada aos palcos no show "Tentação", apresentado na Opera Cabaret, no bairro da Bela Vista em São Paulo. "Eu estava meio nordestina e o Enzo, latino-americano. Então nasceram forrós pan-americanos, ou seja, juntamos o pique do forró com outros ritmos que têm o mesmo espírito, como a cúmbia, a salsa e a guajira. Quem viu o show não esquece! Era um escândalo! Virou um programa cult na cidade. Era uma loucura deliciosa! Uma grande festa abrindo as fronteiras", afirma a cantora.

Dessa mistura surgiu o disco Novos Sabores, com a mesma proposta musical, trazendo diversas composições de Enzo e Tania, incluindo "Viajar", tema de amor do filme "Parahyba Mulher Macho", de Tizuka Yamazaki. Também estão presentes no disco os compositores Eduardo Dussek, Luis Carlos Góes, Lula Queiroga, Tavinho Paes, entre outros.


Faixas:

01. Rumbimbó (Tânia Alves / Enzo Merino)
02. Consumidora (Eduardo Dusek / Luis Carlos Goes)
03. Maracá (Tânia Alves / Enzo Merino)
04. Sonso Mistério (Moacir de Albuquerque / Tavinho Paes)
05. Tribos de Além-mar (Lula Queiroga / Silvio Cavalcanti)
06. Hauacharahu (Tainah Norih Dinah / Vrs. Enzo Merino)
07. Fankiando no Planador (Indiano / Papa Kid)
08. Novos Sabores (Tânia Alves / Enzo Merino)
09. Luar Desse Sonho (Guilherme Maia / Zeca Barreto / Tony Costa)
10. Deslizando no Arco-íris (Tânia Alves / Enzo Merino)
11. Viajar (Tânia Alves / Enzo Merino)


Ficha Técnica

Direção de Produção: Sergio Mello
Direção Artística: João Augusto
Coordenação de Produção: Maria Helena
Assistente de Produção: Rosana Mello
Arranjos: Enzo Merino, Helvius Villela, Serginho Trombone, Ricardo Silveira
Arregimentação: Clovis Mello
Polygram (1983)


Fontes de Consulta:
* Acervo Site As Cantrizes
* "Tania Maria Bonita Alves" - Fernando Cardoso. Coleção Aplauso - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - 2010.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Tania Alves no comercial de TV "NORDESTÃO"


Campanha premiada com Medalha de Prata, Categoria Varejo - Prêmio do Sindicato das Agências de Propaganda do Rio Grande do Norte - 1994.

Criação e direção de cena: Paulo Costa:








Filmografia Tania Alves: "O Olho Mágico do Amor" (1981)


Rodado em 1981, o filme "O Olho Mágico do Amor", de José Antônio Garcia e Ícaro Martins e com Tania Alves no elenco, estreou em São Paulo, em 08 de março de 1982.

No início da década de 1980, uma dupla de estudantes graduada em cinema na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), formada por Ícaro Martins e José Antonio Garcia, surgiu como voz distinta dentro da cena da Boca do Lixo paulistana. O trabalho de estreia dos cineastas, 'O Olho Mágico do Amor', realizado dentro do sistema de produção da Boca do Lixo, tendo a Olympus Filmes, de Adone Fragano (1923-2014), como produtora, aborda elementos típicos aos filmes eróticos, vulgarmente chamados de pornochanchadas, como a abundância de nudez feminina e cenas com insinuação de sexo, o uso de códigos narrativos de gêneros – no caso, o melodrama – e a busca pela comunicação com grande público. Ainda que seguisse as exigências do mercado das pornochanchadas em relação ao combo nudez/sexo, já apresentava um olhar autoral diferenciado, que viria a flertar ainda mais com o experimentalismo nos longas seguintes: Onda Nova (1983) e o ótimo Estrela Nua (1984).  
 
"Eu havia criado aquela personagem [Penélope] especificamente para a Tânia Alves. Pensei nela o tempo todo em que me sentei diante da máquina de datilografar. Mas Adone Fragano e seus colegas queriam alguém que tivesse mais a aura das pornochanchadas da Boca, alguém que já conheciam e em quem confiavam. Sugeriram a Helena Ramos. Eu insisti na Tânia, que, naquela época, ainda não havia se tornado famosa; era só muito querida entre os cinéfilos cult, principalmente os do Rio de Janeiro. E aí percebi que a questão só ia ser resolvida quando eles a vissem, deslumbrante, diante deles. Fui buscar a Tânia e já avisei: você vai como a personagem! Ela colocou uma roupa apertada, uma minissaia de couro, chegou lá e eles caíram de quatro. Foi aprovada na hora. É por isso que eu digo que foi todo um processo de tomada da Boca !", disse o diretor José Antônio Garcia no livro "José Antônio Garcia - Em Busca da Alma Feminina", da coleção Aplauso.

 

No livro 'Tania Maria Bonita Alves', também da Coleção Aplauso, Tania comenta sua participação no filme 'O Olho Mágico do Amor': "Filmamos com o pessoal da Boca do Lixo em São Paulo. Era 1981 e nessa época todas as produções nacionais tinham cenas de sexo e muita nudez para ter apelo comercial. Foi o primeiro trabalho em cinema da Carla Camuratti (...) Por esse trabalho ganhei o Prêmio APCA de Melhor Atriz. Adoro esse filme. Acho um trabalho superatual: meio Quentin Tarantino, meio trash. Não no sentido ruim da expressão. É um filme baixo mundo, underground, despudorado... Era muito gostoso trabalhar com o Zé Antônio. Era fácil, não me sentia sendo dirigida. É uma pena o Zé Antônio – diretor talentoso, criativo e delicado com os atores – ter morrido tão novo, no final de 2005, e deixado tão poucos filmes como legado".


Sinopse
Vera é uma jovem de 17 anos que trabalha como secretária num escritório na boca do lixo. Um dia descobre atrás de um quadro na parede um pequeno buraco que dá para um quarto de hotel. Ali vive a prostituta Penélope, que todos os dias e o dia inteiro recebe seus clientes. Vera, deslumbrada com aquilo e envolvida em seu voyeurismo, muda todo o seu cotidiano para poder acompanhar os casos amorosos da prostituta.
 

Ficha Técnica

Direção:
José Antônio Garcia, Ícaro Martins

Roteiro:
José Antônio Garcia, Ícaro Martins

Produção:
Adone Fragano

Música Original:
Luiz Lopes

Fotografia:
Antônio Meliande

Edição:
Jair Garcia Duarte

Direção de Arte:
Cristina Mutarelli

Maquiagem:
Vavá Torres


Elenco
Carla Camurati (Vera Maria Gatta)
Tania Alves (Penélope)
Sérgio Mamberti (Prolíxenes)
Cida Moreyra (Mãe de Vera)
Ênio Gonçalves (Átila)
Tito Alencastro
Maria Helena
Luiz Felipe

Participações Especiais
Arrigo Barnabé
Jorge Mautner
Nelson Jacobina
Casagrande
Luis Roberto Galizia
José Antonio Garcia
Ismael Ivo
Leonor Lambertini
Sofia Loren


Prêmios
Festival de Gramado, Brasil
Kikito de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Carla Camurati)
Associação Paulista de Críticos de Arte
Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Cida Moreira)
Prêmio de Melhor Direção (Ícaro Martins, José Antonio Garcia)
Prêmio de Melhor Atriz (Tânia Alves)
Prêmio de Melhor História Original (Ícaro Martins, José Antonio Garcia)
Prêmio de Melhor Fotografia (Antonio Meliande)
Prêmio de Melhor Edição (Jair Garcia Duarte)
Prêmio de Melhor Cenografia e Figurinos (Cristina Mutarelli)
Prêmio de Melhor Filme (Ícaro Martins, José Antonio Garcia)
Prêmio de Melhor Atriz (Carla Camurati)


Indicações
Festival de Gramado - Indicado ao Kikito de Ouro de Melhor Filme




Revisão Crítica

"A música – que vai de John Lennon a Luiz Gonzaga – é parte fundamental de alguns dos melhores momentos do longa, como a cena em que Tânia Alves, na cama, canta “Lenda do Pégaso” – cuja letra cita várias espécies de pássaros - ao lado de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. O ícone da Vanguarda Paulistana, Arrigo Barnabé, também faz uma participação especial, assim como os jogadores de futebol Wladimir e Pitta. E falando em atuações, deve-se destacar a entrega completa das atrizes principais. Camurati - premiada em Gramado - ainda muito jovem e no auge de sua beleza, transmitindo toda a fragilidade e inocência de Vera, e Tânia Alves totalmente desinibida, exalando sensualidade em cenas fortes, como a transa com o ladrão".
(Leonardo Ribeiro - Blog Olhares em Película e Site Cult Cultura)

"Revolucionário, mágico, obra para cinemaníacos e multidões, hino à originalidade, ao bom humor do cotidiano, ao naturalismo, à simplicidade narrativa"
(Salvyano Cavalcanti de Paiva) 

"Inacreditável, inesperado. De onde menos se poderia esperar (ou seja, uma exdrúxula aliança ou conluio entre a “Boca do Lixo”, os “ensinamentos fílmicos” da ECA-USP, do cineclubismo com jactâncias de classe dirigente, aliada ao comercialismo dos lamentáveis tycoons locais que só aceitam, ou mesmo impõem, filmes segundo suas visões preguiçosas, incultas e rotineiras do que fossem as únicas exigências da confluência da avenida São João com a Ipiranga) resultou um filme mágico, que é o que de mais feliz, consistente e artístico o cinema brasileiro produziu nos últimos 30 anos". (Rubem Biáfora - O Estado de S. Paulo - 06/03/82). 



 
Veja abaixo um clipe de imagens do filme "O Olho Mágico do Amor", com a atriz e cantora Tania Alves, ao som da música "Lenda do Pégaso", na voz de Tania e Jorge Mautner:





Pesquisa: Blog Tania Alves - As Cantrizes

Fontes de Consulta:
* Acervo Site As Cantrizes
* Site Papo de Cinema
* Enciclopédia Itaú Cultural - Disponível em:
* "José Antônio Garcia - Em Busca da Alma Feminina" - Marcel Nadale. Coleção Aplauso - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - 2008.
* "Tania Maria Bonita Alves" - Fernando Cardoso. Coleção Aplauso - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - 2010.
* Blog Indicação do Biáfora



terça-feira, 7 de abril de 2009

Tania Alves apresenta "Tieta do Agreste" em Brasília


Há 32 anos, uma mulher mudou a história da literatura brasileira. A saga de Tieta do Agreste, lançada em 1977 no romance homônimo do grande Jorge Amado, deixou em evidência a vila pacata de Santana do Agreste, no interior baiano. A vida da menina expulsa pelo pai aos 17 anos por ter escandalizado a população ao viver relações amorosas e que retorna, 26 anos depois, rica e desejada, ultrapassou as páginas do livro. Foi levada ao cinema, à televisão e agora ao teatro, em formato de musical.

Dirigida por Christina Trevisan e com músicas de Pedro Paulo Bogossian, a montagem reúne grupo de 20 atores e sete músicos e ocupou o palco da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, em Brasília, no último final de semana.

“Ela é a síntese de todas as mulheres de Jorge Amado”, resume a atriz e cantora Tania Alves, que vive Tieta no espetáculo. “É muito rica a personagem. Rica de sentimentos, intenções, características... E eu, como gosto de trabalhar e de desafios, adorei fazer uma personagem tão complexa, cheia de nuances e detalhes. É um marco na minha carreira fazer Tieta”, revela.

O espetáculo estreou no ano passado e já passou por cidades como São Paulo e Salvador. No elenco, além de Tânia, estão Blota Filho (Barbosinha), Alice Reis (Imaculada), Dora Bueno (Cinira) e o brasiliense Fábio Barreto (Ascânio).


Fonte: Correio Braziliense.




quarta-feira, 1 de abril de 2009

Filmografia Tania Alves: "O Mágico e o Delegado" (1983)


Em 1983 foi lançado o filme "O Mágico e o Delegado", dirigido por Fernando Coni Campos(1933 - 1988), e com Tania Alves no elenco.

Inspirado em uma anedota contada pelo gaúcho Josué Guimarães no terceiro capítulo de "Depois do Último Trem", "O Mágico e o Delegado" foi roteirizado por Coni Campos e Mário Carneiro. O filme foi rodado, em parte, no município de Cachoeira, na Bahia. Segundo o próprio Coni, a ideia foi buscar em sua infância, numa pequena cidade da Bahia, "os seus loucos, seus bêbados, as suas tristes mulheres, os personagens capazes de dar vida e emoção nesta estória de elementos fantásticos".


No livro 'Tania Maria Bonita Alves', da Coleção Aplauso, Tania comenta sua participação no filme:  "Esse longa-metragem foi, sem dúvida, um dos que mais gostei de fazer. Nelson Xavier é um grande ator! Nossa química no set de filmagem sempre foi muito boa. Moramos uns dois meses em Castro Alves, interior da Bahia, filmando. Esse foi o último trabalho que Fernando dirigiu. Infelizmente ele morreu muito jovem, aos 54 anos".

"Sempre busquei um cinema popular, isto é, um cinema que nasce do povo ou nele se inspira e a ele retorna, fechando um círculo (talvez a palavra circo seja mais adequada) e não um cinema de massa que reflete o gosto da classe dominante e tenta impor essa estética ao povo massificado", explicou Coni em uma entrevista.

"O Mágico e o Delegado" foi o grande vencedor do 16° Festival de Brasília, com quatro troféus, incluindo os de melhor filme e roteiro. Foi o último filme de Cony Campos, que morreu em 24 de dezembro de 1988, aos 55 anos, de infarto, no Rio de Janeiro.

Sinopse
Um mágico, Don Velásquez (Nelson Xavier) e sua partner Paloma (Tania Alves) chegam a uma pequena cidade do interior do Bahia para apresentar um espetáculo de variedades, com números de mágicas e de canto e dança. A estréia da dupla é frustrada pela prepotência do delegado local. O dia seguinte é o dia de feira da cidadezinha. Comovida pela pobreza da feira, Paloma sugere ao mágico uma grande mágica que traga a fartura onde existe a miséria, o que é feito. No entanto, a mágica dura pouco e logo a cidade volta à sua pobreza habitual. Há uma grande revolta e o delegado prende o mágico. Na cadeia, ele é colocado numa cela comum onde já estão quatro outros presos. A presença do mágico quebra a rotina da vida carcerária e uma série de coisas esparitosas e maravilhosas começam a acontecer. Na tentativa de restabelecer o ordem, o delegado retira o mágico da cela comum e o coloca numa solitária. Tal recurso não adianta, segundo depoimento do carcereiro, que vê o mágico promover banquetes chega aos outros presos que exigem comida igual a que dizem que o mágico come, e então entram em greve de fome. Uma galinha ao molho pardo é preparada para acabar com a greve de fome. Pouco depois, o mágico, algo maravilhoso acontece justificando a afirmativa do Padre Antonio Vieira: 'cada um sonha como vive'.




Ficha Técnica

Direção
Fernando Coni Campos

Roteiro
Fernando Coni Campos

Fotografia
Mário Carneiro

Montagem
Roberto Pires, Eunice Gutman, Walter Goulart

Música
Nelson Jacobina

Produtora
Sani Filmes, Embrafilme, Moçamba Produções

Longa-metragem - 103 min.

Elenco
Nelson Xavier (Don Velásquez)
Tania Alves (Paloma)
Luthero Luiz
Maria Silvia
Vera Setta
Sônia Dias
Marília Araújo
Lena Gomes
Wilson Grey
Marcus Vinícius
Ivan Setta


Revisão Crítica

"O traço popularesco de Coni Campos é acentuado em seu último filme, O Mágico e o Delegado, um embate entre a magia da arte e a opressão do poder, em que o mágico é preso pelo delegado por ser considerado uma ameaça à autoridade. A resposta do mágico é dada com o contínuo exercício de prestidigitação e sonhos, mesmo que isso lhe custe a vida. Trata-se de um filme-testamento por sintetizar a carreira do cineasta que, em sua obra, busca se aprofundar na ludicidade e sinestesia. Porém seus filmes são interditados ou cortados pela censura do regime militar. O poder podando a arte."
(Enciclopédia Itaú Cultural)



Veja nos vídeos abaixo cenas de 'O Mágico e o Delegado':